Zurique (Zürich) é a maior cidade da Suíça, localizada ao norte do país. Fala-se alemão
Johann Heinrich Pestalozzi nasceu em Zurique, na Suiça, aos 12 de janeiro de 1746.
Seu pai, Johann Baptist Pestalozzi, era cirurgião, descendente de italianos. Estudou ali mesmo, em Zurique, cursando Filosofia e Lingüistica no famoso Collegium Carolinum. A influência de Jean-Jacques Rousseau foi enorme
A vida de Pestalozzi foi um exemplo fantástico de amor e devoção à educação, entre fracassos sucessivos e uma persistência gloriosa em sua missão de educador.
Seu pai morreu quando ainda era novo, tendo sido criado pela mãe. Na Universidade de Zurique associa-se ao poeta Lavater num grupo de reformistas.
O MÉTODO INTUITIVO
A criança será levada a perceber intuitivamente, ou seja, pela sua própria cabeça, o fenômeno que a atividade lhe apresenta. O educador não vai apresentar definições à criança, mas levá-la a perceber, compreender e sentir o real significado do conteúdo em estudo.
O método intuitivo leva a criança, através da percepção, a chegar à conclusão lógica através da observação, comparação e análise, onde ela vai perceber e sentir a realidade em seu íntímo.
A percepção, para Pestalozzi, tem um sentido global e não se restringe apenas à percepção sensorial. Além dos sentidos, ela atinge o intelecto e o sentimento.
A razão, o sentimento e os sentidos devem ser estimulados simultaneamente. Todas as capacidades interiores se interagem organicamente e precisam ser estimuladas simultaneamente para ocorrer o desenvolvimento integral e harmonioso do ser.
Por exemplo, na atividade em que iniciamos o tema Deus, levamos a criança a um contato direto com a obra Divina, a natureza. Visitamos uma chácara, onde a criança pode caminhar descalça na grama, olhar os pássaros e os animais, sentar debaixo das árvores, comer os frutos, sentir o perfume das flores e explorar os recantos maravilhosos que a natureza sempre oferece. O educador apenas orienta discretamente, deixando a criança vivenciar cada momento.
Pelos sentidos, ela entra em contato direto com a obra Divina, olhando, tocando, cheirando, ouvindo, saboreando...
Pelo intelecto, ela analisa e compara: Deus criou tudo isso... os minerais, as plantas e todos os seres vivos. Somente Deus cria a vida...
O DESENVOLVIMENTO MORAL SEGUNDO PESTALOZZI
No que se refere ao desenvolvimento moral as idéias de Pestalozzi são semelhantes às de Piaget. Mas vai além, ao identificar o germe de toda a potencialidade e ao entrar no campo fantástico do sentimento e da vibração.
Para Pestalozzi, a moral é o fim supremo da educação, pois o homem é um ser essencialmente moral, pois possui dentro de si mesmo a essência Divina.
Define três estados ou etapas do desenvolvimento moral do homem:
Estado NATURAL ou PRIMITIVO: corresponde à natureza animal, aos impulsos instintivos de sobrevivência e dominação, procurando satisfazer suas necessidades básicas. O homem
Estado MORAL: ao atingir o estado moral o homem é capaz de trabalhar seus instintos animais, transformá-los, canalizar essa força num sentido positivo e é capaz de construir sua própria moral. A moral não vem de fora - é interior. O homem não é apenas um ser animal, ou um ser social. Antes, acima e além de tudo ele é um ser espiritual, é um ser moral por excelência, pois traz a essência Divina em si mesmo.
A Revolução Francesa x Pestalozzi
A Revolução Francesa influenciou fortemente Pestalozzi. Ele percebeu que os aristocratas a quem se dirigia, numa tentativa de conscientizar as elites da necessidade de um esforço pela educação popular, eram indiferentes ao seu ideal. A fé no despotismo esclarecido, tanto defendida pelos iluministas, terminará.
Os acontecimentos sociais, culturais e políticos que comoveram a velha Europa durante a segunda metade do Século XVIII e as primeiras décadas do XIX, configuram o âmbito histórico dentro do qual surgiu a inteligência e a criatividade pedagógica de João Henrique Pestalozzi, influenciado nas suas leituras sobre Rousseau “Contrato Social e Emílio”. A subida do capitalismo industrial como forma predominante da produção social, a exaltação dos nacionalismos étnicos, históricos e religiosos e a aspiração de liberdade do romantismo nos campos da vida política e cultural dos povos, a vertente revolucionária capitalizada pela burguesia que desprezava o absolutismo feudal, entre outros fenómenos, forjaram e orientaram a aventura educativa do humanista suíço/alemão.
O pensamento e entrega de Pestalozzi ainda ocupa, nos nossos dias, a atenção de filósofos, psicólogos e pedagogos, devido ao interesse que desperta uma das suas obras educativas mais transcendentes, isto se o julgarmos a partir da profunda influência que alcançou, indo, inclusive, mais além das fronteiras do século XIX europeu, até chegar aos educadores de hoje. Biógrafos, historiadores e críticos, reconheceram a generosidade e autenticidade dos sentimentos que guiaram as experiências pedagógicas do discípulo de Rousseau, inseridas numa época de profundas mudanças na sociedade e na cultura.

Nenhum comentário:
Postar um comentário